terça-feira, 11 de novembro de 2008

O meu avô é velho.

O meu avô é velho, antigo, idoso.
Acumulou vidas, de estórias de uma história sem intervalos.
Acumulou vidas, emoções.
Trilhou caminhos de um saber atroz.

Ser velho é saber mais.
De um saber que não se aprende nos livros, mas que tantos livros deu. Livros editados num papel que só o velho sabe ler.
Ser velho é falar de cor, numa certeza de pleno e paixão. É ser índice, conteúdo, bibliografia e valor.
Ser velho é olhar e verdadeiramente ver, com a certeza dos sábios e a sinceridade dos infantes.
É, mais que o acumular dos anos, o preservar de imagens e sons que a Terra cantou.
É virar páginas numa leitura certa e ludibriante na diagonal.
É delinear cada curva que a vida impôs, na expressão sincera de uma ruga, na voz da objectiva que um dia se apagará de cansaço e dor.

Quantas imagens passaram por este olhar?
Quantas palavras romperam estes lábios?
Quantos sussurros beijaram estes ouvidos?
Quantos aromas invadiram este nariz?
Quantos soslaios arrombaram esta pele?

Estima,
Por este livro antigo, que afinal,
É apenas velho.

Foto: autor desconhecido

4 comentários:

C. disse...

Lindo...
Repleto de verdade...
e é por isso k adoro a minha avó!..
:)

continua assim...

Maria Liberdade Oliveira dos Santos disse...

Gostei muito do seu blog e desse reflexivo texto. Voltarei mais vezes para apreciá-lo.
Beijos de paz no seu coração!

Enfim... disse...

espectaculo adorei :D

o tal livro que eu ainda não sei ler, quem me dera um dia poder folhea-lo e perceber tudo como eles

é lindo :D

beijinhooos

Anónimo disse...

Entrei por pimera vez neste blog. Estou admirado do rigor e o calor da poesia e também a formosa colecção de fotografias. Sou um avô. Emocionado pelo tom. Amigo poeta, penso que falas com certeza de pleno e paixão desde a maturidade. Uma satisfação esta poesia sincera. Obrigado! Um abraço cordial.