quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

o espaço


cores em tosn de cinza deseja a todos


um SANTO E FELIZ NATAL





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domingo, 18 de outubro de 2009

Um sussurro em jeito de adeus.

Sinto-te a falta.
Grita alto
Prometo ficar atento
Respira fundo
Acompanhar-te-ei.
Suspiro.

Partilhamos imagens
Imaginadas apenas.
Mágica, sublime
Estranha forma de amar.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Variedades gastronómicas

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Há mais de 2 meses em Angola, seria imperdoável não ter
provado as iguarias da terra, tão afamadas como o funge, a
kissangua, a carne e peixe secos ou o cabrito.
Dá-nos um ar de retornados e quando damos por nós
estamos a falar nganguela ou umbundu.

Toda esta afeição aos costumes da terra ganham um valor
especial quando somos agraciados com a hospitalidade dos
locais. Num instante nos fazemos num deles.

Na província mais distante de Luanda, a variedade de
ingredientes é limitada e os preços obedecem à imagnação
de cada um (sempre em sentido ascendente).

Dada a duvidosa conservação dos alimentos "frescos"
(ontem comprei uma dúzia de ovos. Nenhum se aproveitou.
Nem um!) somos obrigados a manter uma dieta muito linear.
Massa com conserva, conserva com massa, arroz com conserva,
conserva com arroz, por vezes pão e leite em pó.

Confesso que ao fim de 64 dias me fazia falta algo original
para elevar o momento da refeição a um nível há já muito
desejado. Desde já agradeço a sugestão, do Aerograma - Rösti.
O único senão na sugestão do amigo Afonso é a batata que
escasseia por estes lados, e o queijo que ainda não encontrei
em estado minimamente razoável e a fruta que nem
sempre há e os cogumelos e as passas, que também não
aparecem por aqui.

Faço um apelo aos mais experientes na Angola profunda,
para sugestões gastronómicas que se limitem ao arroz,
massas, azeite, salsichas, atum e pão. (Confesso que carne
seca, peixe seco e funge não me enchem o olho).

Tuna Sakuila
Tuapandula

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

No rasto da Lua


Somos parcos em palavras
Isentas nos sonhos
Risonhos dos dias
Que chegam depois.
Somos cheios nas formas
No toque ausente
Algures presente
Se estamos os dois.
Somos fim de linha
Início da vida
Que em seguida
Se faz tua
Seremos mais,
Tristeza invertida,
Inocência perdida
No rasto da Lua.

Foto: O rasto da Lua, Cores em tons de Cinza

domingo, 23 de agosto de 2009

Nem sempre feliz


A noite dá
E volta a tirar.

O dia termina...
Fim anunciado,
Denunciado
pela sombra nua, fria...
Não queria que fosses...
Mas vais,
Porque o dia finda
E ainda há noite amanhã.
... Ou talvez não.

Afinal,
Tudo tem um fim...


Nem sempre feliz.

Foto: Final feliz, Cores em tons de Cinza

sábado, 22 de agosto de 2009

Mesmo que por uma vez.


À noite tudo muda
Há mais vida... outra.

A noite invade
Num abraço apertado,
Fechado à partida.
Inspira os sentidos
Perdidos
Em lugares comuns.

À noite o sol se apaga
À lembrança dos dias,
Alegrias passadas,
Quebradas em mil partes.

Não partes.
Porque não esqueço...

Mesmo que apenas por uma vez...


Foto: Quase sol, Cores em tons de Cinza

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Engenho e arte

Em terra de cegos
Quem tem um olho
É Rei.

E eu no interior de África
Tenho uma máquida de cabelo...


(Não há direito a foto)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

África, um olhar ao relantim


Em África o tempo corre
Ao sabor do relantim.
O malembo malembo atordoa os sentidos
E baralha a noção de fim.


Em África o céu queima
O chão é fogo
A chuva, bênção

E o frio, mausoléu.


Em África a saudade sufraga
Em sentido ascendente, presente,
Em cada pedaço de chão...

Em cada pedaço de céu.

Foto: Céus, Cores em tons de Cinza

domingo, 16 de agosto de 2009

Cores noutros tons


Menongue, interior de Angola.
Onde quase nada se passa,
Onde quase ninguém vem.

Onde a terra se eleva e se faz lar,
Onde o rio desnuda os infantes e dá uso à força das lavadeiras,
Onde a vista redescobre distâncias e desenha a curvatura da Terra.

Campos amarelos,
Árvores de par em par,
Um sol dos mais belos
E uma lágrima no olhar.

Alguma semelhança com o meu lugar...
é pura coincidência.


Foto: Alénkwebe, Cores em tons de Cinza

sábado, 15 de agosto de 2009

Azul e branco

Existem aos milhares. Atropelam-se diariamente e dão uso à fala que lhes é mais característica.
Em Luanda é impossível não nos cruzarmos com um candongueiro, Hiace (iáce no dialecto local), azul e branco ou vulgo táxi.
O candongueiro, iáce, azul e branco ou táxi é um meio de transporte com capacidade para um número variável de passageiros, frequentemente 12 ou 15.
Este meio de transporte, tão vulgar por estes lados é o melhor para chegar a qualquer lado com a garantia de calor humano por perto (ou por cima), com muita animação, por vezes tv a bordo e som ambiente (aka buzina).
Por fora, os candongueiros impõem respeito. Com uma agilidade feroz (feroz é o termo), fazem frequentemente milagres. inventam espaço, inventam asfalto, inventam regras.
Mas candongueiro é também uma peça de museu (museu é, definitivamente, o termo). Decorados a rigor, os ditos não passam despercebidos e um qualquer novo cliente pode, sem sequer entrar no veículo, cogitar sobre a qualidade do serviço.
Deixo à consideração.
Foto: cúmplice, Cores em tons de Cinza

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Quase 2



Quase...
Persegue-me.
Parece ontem...
O olhar...
O toque...
O cheiro...

Porque um dia quase chega
E não custa mais sonhar.



Amo-te





Foto: st, Castelinho (www.olhares.com)

Há coisas que me fazem confusão...



Em Luanda há quase duas semanas.
Entre candongueiros, zumgueiros e cassimbo,
Um facto salta-me à vista.
Aqui, tudo o que mata é mais acessível do que o que nos mantém vivos.
Mais facilmente se atesta o carro, que um garrafão com água.
Mais depressa se compra um volume de tabaco que um quilo de pão.
Mais rapidamente se compra um litro de vinho que um litro de leite.

Não deveria o leite ser bem mais acessivel que o álcool?
O pao mais que cigarros?
A água mais que gasóleo?

Aqui, uma gota de água, leite ou migalha de pão valem o seu peso em ouro.
Estaremos nós certos?
Foto: silêncio inocente, Cores em tons de Cinza

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Luanda, 6 Agosto’09



Em Angola um olhar é esperança…
Para quem vende,
Para quem pede,
Para quem pergunta.
Em Angola um olhar fala,
Num dialecto que todos entendem.
Em Angola aprendo a olhar…
Na esperança de Aprender
O dialecto daqui.




Foto: Ilha de Luanda, Cores em tons de Cinza

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Luanda, 5 Agosto’09



Difícil a partida.
Nas mãos, pouco mais que nada.
Vontade de chegar,
Certo de que, no fim, tudo bate certo.
Primeira sensação: Cheiro de África.
Estival,
Cheio,
Molhado.
Estou há dois dias em Angola.
Tudo fervilha, tudo mexe, tudo tem o que fazer.
Não há céu, mas há sol.
Tudo se vende e todos vendem… Todos compram.
Bem receber é, sem qualquer dúvida, o maior Dom dos angolanos.
Somos reis, somos Sobas.
Somos obrigados a ter família aqui.
Todos são irmãos,
Todos são tios e tias,
Todos são senhores e senhoras… pais… mães.
Difícil a partida, é certo.
Mas, no meio da confusão…
Foi fácil a chegada.
Foto: Luanda, Cores em tons de Cinza

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Mavinga - parte II



A partir de Julho e, sempre que me for possível, este espaço terá novas cores.
Procurarei descrever o que vejo, escuto, sinto ou cheiro sem preocupação com a prosa, que, por si só, pela magia da Terra, se fará poesia.
Façam uma visita.





Foto: Kimbos em Angola - Rui S. Nogueira (www.olhares.aeiou.pt)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mavinga



Nova vida,
Novos horizontes.

Em breve tudo muda
Recomeço, na verdade.
Em breve tudo é novo,
E num instante se faz saudade.


Foto: Kimbos em Angola - Rui S. Nogueira (www.olhares.aeiou.pt)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A.M.o-te

Um segredo que guardo para ti.

Por que só tu moves esta linha.

Linha ténue (in)visível à vista desarmada.

Flutuo em brisas que (sobre)vivem,

(Sobre)tudo, por ti.

Sublime, em suaves tormentas,

Abraço um sorriso gasto.

Lembrei-me que te Amo

Que te amo...





Foto: Coming Back To Life - grENDel (www.olhares.com)